segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Dois pontos (ou três) ...

A princípio achei fácil a tarefa de registrar o encontro, depois tive dúvidas sobre o que escrever.
Sendo este um caderno (ou blog) coletivo, devo eu apenas transcrever o que se passa durante o encontro, para que todos se lembrem? Ou a real função deste registro, que a cada encontro é feito por um participante diferente, também é guardar minhas impressões e opiniões pessoais?
Na falta de um “guia de utilização”, ou algo que o valha, fico com a segunda opção!
Sendo assim resolvi contar esta história em duas partes.


  • Ponto um:

Depois de enfrentar muita chuva conseguimos tomar o ônibus com destino ao Atelier Central, onde trabalha o artista plástico Rubens Espírito Santo.
Ao entrar observei a dimensão do lugar, com muitos livros, de diversos assuntos, bem organizados em prateleiras e arquivos além de muitas obras prontas e, aparentemente, em fase de produção.
Acomodamos-nos no chão, e ao contrário do clima de festa de dentro do ônibus, neste momento todos estão um pouco apreensivos e quietos, aguardando que o artista exponha suas opiniões.
A proposta que nos foi feita para esta visita era de conhecer um artista que trabalha a questão da arquitetura da cidade em suas obras, tema este que teria muito a ver com os temas dos encontros anteriores.
Como ligação entre o que tratamos até aqui, Ângela propõe que Rubens responda algumas questões formuladas por nós para o trabalho da semana passada, a única respondida foi
“Quem é seu vizinho?”.
Rubens cita como seus vizinhos diversos artistas que o influenciam como o arquiteto norte americano Louis Kahn, o artista plástico alemão Joseph Beuys e o sergipano Arthur Bispo do Rosário.
Após mostrar suas referências e contar um pouco de sua história, a primeira proposta de responder a perguntas pré-selecionadas foi abandonada, Espírito Santo abre espaço para uma discussão que se tornaria polêmica.
O artista diz acreditar que é importante criar uma marca, uma identidade única. Isso foi o que possibilitou a ele se tornar um gênio no que faz. Este foi o seu caminho para “escapar de ser nada”.
O ego elevado do interlocutor causou incomodo nos ouvintes. Logo surgiram perguntas como: “Para que serve a genialidade?”, e o debate, que se seguiu para além da visita e foi lembrado ao longo da semana, ficou mais tempo na função do artista do que na obra de Espírito Santo.
Algumas questões levantadas pelo artista merecem registro e reflexão:



“É possível ter uma cultura que nos é negada”


“O autoconhecimento é o caminho para sermos alguma coisa no mundo em que vivemos”

“Se você não tem uma moeda de troca você não é nada”


“Nossa maior deficiência é a desorganização”


  • Ponto dois:
O segundo ponto que acredito merecer registro é um assunto recorrente nos encontros, apesar de não estar muito bem esclarecido. Falo do real objetivo de nossa formação.
Nesta mesma visita, durante a apresentação do CCJ, nossa educadora, Ângela, disse que o curso serviria para a formação da postura e da linguagem dos monitores.
Caso este o fosse o único objetivo dos nossos encontros, o que não acredito ser verdade, a visita ao atelier já perderia todo o sentido.
O que realmente me preocupa nestas palavras é: elas demonstram que nossa conduta, nossa linguagem e nossa formação, tanto profissional quanto na experiência de vida, vem sendo ignoradas, ou pior, condenadas.
Esta preocupação insistente na formação de uma postura torna o que poderia ser um tempo de aprimoramento do olhar crítico para o mundo, ou de aprendizagens técnicas importantes, como seria o caso do sugerido curso de libras, num tempo restrito a preocupações cabíveis a uma aula de etiqueta.
Acredito que todos os participantes deste programa buscam formação como produtores de cultura, facilitadores de seu acontecimento, não apenas reprodutores. Meros repetidores de costumes.
Quero crer que, como os primeiros a testar a experiência da formação, nossos anseios sejam atendidos, espero que os debates em torno do cronograma e dos módulos da formação, que ocorreram nos primeiros encontros, não sejam desprezados.
Espero também que com o tempo e a convivência ambos, instituto e monitores, aprendam na troca de suas experiências, não pela imposição de regras, o que já se provou ser inútil à formação de qualquer indivíduo.
Não que as regras não tenham sua função, mas por que elas só funcionam quando tem real sentido de existir.

Amanda Prado

2 comentários:

Formação Cultural...CCJ/Tomie Ohtake disse...

Olá gente,

Eu também estou esperançoso dessa troca de experiências entre todos. Acredito que isso vem acontecendo desde o primeiro encontro. Em toda troca existe um diálogo contínuo e uma reciprocidade entre ambas as partes que devem estar abertas a escutar e a entender o outro (grande desafio do nosso século). Nem sempre as palavras contemplam todos os sentidos e intenções, elas nos pregam peças, por isso precisamos estar em contato contínuo para que percebamos qual o real contexto delas. Estamos nesse processo...

Maurício MAU

poeta do inverno disse...

algo inquieta os jovens como eu, e o auto conhecimento que tanto se prega hoje na minha singela opinião serve mais para escrever livros de auto ajuda...acho que hoje e mesmo necessario conhecer o mundo e aproveitar as experiencias vindas dele.