quinta-feira, 2 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
procurando entender a pergunta do Luis
fiquei pensando na sua última pergunta sobre o Nietzsche. Sobre o paradoxo da vontade de potência do homem e a necessidade de se reportar à história da arte para se fazer arte, não é ?
Você até citou sobre o "paternalismo" da história da arte. E isso naturamente seria contrário a potência do homem.
Não sou uma especialista em Nietzsche, mas, como ele mesmo diz, vamos falar com as nossas próprias palavras, sem teorias mortas.
A questão é que não se pode ter potência fora de uma Lei. Senão é a anomia total.
Há um sistema que nos sustenta. Não podemos operar fora dele, pois seria a loucura total. Há coisas que não podemos fazer (incesto, comer um fígado humano, etc.. até podemos, mas as consequencias disso seriam terríveis) pois a nossa subjetividade está baseada nisso, em certas regras. (e não vamos confundir isso com moral, é mais profundo).
Fazer arte é estar encostando próximo do núcleo desta lei (como diz a Clarice, do "núcleo invisível da realidade", ou Zizek, da "lacuna"), é transgredir a moral em torno disso, encostar na lacuna, mas não podemos chegar nela totalmente, ao menos que fossemos a Estamira, o Bispo, entende?
Então a lei é o que nos sustenta. Nos puxa e nos empurra. Brincamos com “fogo” o tempo todo.
A história da arte é uma lei. Um parâmetro. Algo a ser devorado e não ignorado. Senão ela mesma nos engole. É ela que nos "ferra".
Isso é ter uma linguagem. Se não tivermos uma linguagem, não podemos fazer metáfora, ficamos no nível do significante e significado apenas, na concretude das coisas. Seremos obcessivos. É como dizer para alguém: vai ver se eu estou na esquina... e ele vai...
Uma vez o Juliano Pessanha me perguntou: você já devorou a literatura?
Eu não entendi nada na época. Achei que ele tava falando que eu precisava ficar horas e horas lendo os autores, ser especialista, pedir permissão aos grandes autores, baixar a cabeça, etc, etc....
Só depois eu percebi que devorar a literatura seria entender a história da literatura e me apropriar dela, fazer brincadeira com ela, me autorizar a usá-la como eu bem entendesse, dar a minha opinião sobre os autores, escrever a minha maneira, compor a minha subjetividade, não ficar pedindo permissão para autor nenhum... Ou seja, buscar a história para me ler nela, para fazer “tráfico” de informações...
E isso é ter potência. Não o contrário. Ao invés de deixar a história da literatura "me roubar", eu iria "roubá-la", entende?
É isso que os grandes artistas fazem. Deleuze lê Nietszche para “se ler” nele. Nietszche leu os gregos para ler o que ele queria neles.
Fora da lei não temos potência, pois não temos "nome". Ao menos que fossemos loucos, aí a lei é outra. Mas mesmo assim há lei. O nosso próprio corpo já é um sistema, operamos por regras.
Acho que o Nietzsche fala disso.
E também acho que ele pensa uma arte fora do vômito
fora da queixa
uma arte que seja superação!
Trecho de Humano, demasiado humano:
241:”Gênio da cultura: se alguém imaginar um gênio da cultura, qual a sua natureza? Ele utiliza tão seguramente, como seus instrumentos, a mentira, o poder, o mais implacável egoísmo, que só poderia ser chamado de mau e demoniaco, mas os seus objetivos, que transparecem aqui e ali, são grandiosos e bons. Ele é um centauro, meio bicho, meio homem, e além disso tem asas de anjo na cabeça."
Angela
Você até citou sobre o "paternalismo" da história da arte. E isso naturamente seria contrário a potência do homem.
Não sou uma especialista em Nietzsche, mas, como ele mesmo diz, vamos falar com as nossas próprias palavras, sem teorias mortas.
A questão é que não se pode ter potência fora de uma Lei. Senão é a anomia total.
Há um sistema que nos sustenta. Não podemos operar fora dele, pois seria a loucura total. Há coisas que não podemos fazer (incesto, comer um fígado humano, etc.. até podemos, mas as consequencias disso seriam terríveis) pois a nossa subjetividade está baseada nisso, em certas regras. (e não vamos confundir isso com moral, é mais profundo).
Fazer arte é estar encostando próximo do núcleo desta lei (como diz a Clarice, do "núcleo invisível da realidade", ou Zizek, da "lacuna"), é transgredir a moral em torno disso, encostar na lacuna, mas não podemos chegar nela totalmente, ao menos que fossemos a Estamira, o Bispo, entende?
Então a lei é o que nos sustenta. Nos puxa e nos empurra. Brincamos com “fogo” o tempo todo.
A história da arte é uma lei. Um parâmetro. Algo a ser devorado e não ignorado. Senão ela mesma nos engole. É ela que nos "ferra".
Isso é ter uma linguagem. Se não tivermos uma linguagem, não podemos fazer metáfora, ficamos no nível do significante e significado apenas, na concretude das coisas. Seremos obcessivos. É como dizer para alguém: vai ver se eu estou na esquina... e ele vai...
Uma vez o Juliano Pessanha me perguntou: você já devorou a literatura?
Eu não entendi nada na época. Achei que ele tava falando que eu precisava ficar horas e horas lendo os autores, ser especialista, pedir permissão aos grandes autores, baixar a cabeça, etc, etc....
Só depois eu percebi que devorar a literatura seria entender a história da literatura e me apropriar dela, fazer brincadeira com ela, me autorizar a usá-la como eu bem entendesse, dar a minha opinião sobre os autores, escrever a minha maneira, compor a minha subjetividade, não ficar pedindo permissão para autor nenhum... Ou seja, buscar a história para me ler nela, para fazer “tráfico” de informações...
E isso é ter potência. Não o contrário. Ao invés de deixar a história da literatura "me roubar", eu iria "roubá-la", entende?
É isso que os grandes artistas fazem. Deleuze lê Nietszche para “se ler” nele. Nietszche leu os gregos para ler o que ele queria neles.
Fora da lei não temos potência, pois não temos "nome". Ao menos que fossemos loucos, aí a lei é outra. Mas mesmo assim há lei. O nosso próprio corpo já é um sistema, operamos por regras.
Acho que o Nietzsche fala disso.
E também acho que ele pensa uma arte fora do vômito
fora da queixa
uma arte que seja superação!
Trecho de Humano, demasiado humano:
241:”Gênio da cultura: se alguém imaginar um gênio da cultura, qual a sua natureza? Ele utiliza tão seguramente, como seus instrumentos, a mentira, o poder, o mais implacável egoísmo, que só poderia ser chamado de mau e demoniaco, mas os seus objetivos, que transparecem aqui e ali, são grandiosos e bons. Ele é um centauro, meio bicho, meio homem, e além disso tem asas de anjo na cabeça."
Angela
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Fragmentos secundários....
Cadáver delicado
"Ser eu mesmo em função de que?
Encontros e desencontros;
Em sua boca, mel sou
e porque as vezes é tão difícil falar?
Para que tanta chuva debaixo do umbigo
Lual, sarau em plena segunda uau!
Ela me chamou, e eu tive que sair sem fumar!
Noite ou dia, o céu continua no mesmo lugar.
A se fosse.
Escova, escolhe, escoa.
Ofereço um peito em rinha.
O jogo do bêbado conturbado
Conturbêbado
E como um demente, pensei em penetrar
então libertar José e Marcelo, ambos corpos ocos
O que você seria se não fosse o que tens dentro de ti, e desejar o seu vômito nas guelas abaixo de quem precisa ouvir, nem se fosse por um minuto esse momento?...
Com a noite de sal, sorriso de céu, travesseiro e cobertor de prata, vivendo o primeiro com medida de fim.
O roxo do amarelo são duas
Livre, recomeço-me
Não acredito em tudo que vejo
Aprecie com moderação, respire e pule!"
Marcador: PÁGINAS SOLTAS, é só selecionar quando colocar o texto!
"Ser eu mesmo em função de que?
Encontros e desencontros;
Em sua boca, mel sou
e porque as vezes é tão difícil falar?
Para que tanta chuva debaixo do umbigo
Lual, sarau em plena segunda uau!
Ela me chamou, e eu tive que sair sem fumar!
Noite ou dia, o céu continua no mesmo lugar.
A se fosse.
Escova, escolhe, escoa.
Ofereço um peito em rinha.
O jogo do bêbado conturbado
Conturbêbado
E como um demente, pensei em penetrar
então libertar José e Marcelo, ambos corpos ocos
O que você seria se não fosse o que tens dentro de ti, e desejar o seu vômito nas guelas abaixo de quem precisa ouvir, nem se fosse por um minuto esse momento?...
Com a noite de sal, sorriso de céu, travesseiro e cobertor de prata, vivendo o primeiro com medida de fim.
O roxo do amarelo são duas
Livre, recomeço-me
Não acredito em tudo que vejo
Aprecie com moderação, respire e pule!"
Marcador: PÁGINAS SOLTAS, é só selecionar quando colocar o texto!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Quarta no CAFFEINE- Black Mekon (UK)
QUARTA FEIRA NA XÍCARA !!!

No mês de junho a Mamma Vendetta traz ao Brasil BLack Mekon, Swampmeat e os Solid Soul Disciples que estao lancando seu primeiro album em terra Brasilis. Solid Soul Disciples é um quinteto formado por Marco Butcher - guitarras, Fabulous GoGo Boy From Alabama, Guitarras, BLack Mekon, vocais e gaita, Brother Mekon, guitarras fuzz e backings e Stunt Pussy, bateria e backings. O disco foi gravado nos estudios Caffeine (Sao Paulo) e Coldrice (Birmigham, Inglaterra) no ano de 2009 e tem producao de Luis Tissot, Dave Evans e Marco Butcher! Para fans de musica trash & blues em alta voltagem!!!!!!!
QUARTA-FEIRA DIA 17.06.2009
SOLID SOUL DISCIPLES (UK/Brasil)
http://www.myspace.com/solidsouldisciples
BLACK MEKON (UK)
http://www.myspace.com/blackmekon
SWAMPMEAT (UK)
http://www.myspace.com/danfinnemore
19HS
R$5
Rua Pitangueiras 93 - Metrô Praça da Árvore
____________________________________________
Caffeine Sound Studio
Estúdio de gravação & ensaios.
Espaço para shows, lançamentos e exposições
Fone: 9721-6327
Rua Pitangueiras 93 - Metrô Praça da Árvore

No mês de junho a Mamma Vendetta traz ao Brasil BLack Mekon, Swampmeat e os Solid Soul Disciples que estao lancando seu primeiro album em terra Brasilis. Solid Soul Disciples é um quinteto formado por Marco Butcher - guitarras, Fabulous GoGo Boy From Alabama, Guitarras, BLack Mekon, vocais e gaita, Brother Mekon, guitarras fuzz e backings e Stunt Pussy, bateria e backings. O disco foi gravado nos estudios Caffeine (Sao Paulo) e Coldrice (Birmigham, Inglaterra) no ano de 2009 e tem producao de Luis Tissot, Dave Evans e Marco Butcher! Para fans de musica trash & blues em alta voltagem!!!!!!!
QUARTA-FEIRA DIA 17.06.2009
SOLID SOUL DISCIPLES (UK/Brasil)
http://www.myspace.com/solidsouldisciples
BLACK MEKON (UK)
http://www.myspace.com/blackmekon
SWAMPMEAT (UK)
http://www.myspace.com/danfinnemore
19HS
R$5
Rua Pitangueiras 93 - Metrô Praça da Árvore
____________________________________________
Caffeine Sound Studio
Estúdio de gravação & ensaios.
Espaço para shows, lançamentos e exposições
Fone: 9721-6327
Rua Pitangueiras 93 - Metrô Praça da Árvore
quarta-feira, 10 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Registro do dia 18 de maio de 2009 (manhã) – Maurício - Mau
“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.”
Escrever as Entrelinhas. Clarice Lispector
Na parte da manhã do dia 18 de maio de 2009, no curso de Formação dos jovens do Centro Cultural da Juventude - CCJ, que acontece no Instituto Tomie Ohtake, foram desenvolvidos os planejamentos das oficinas, que serão realizadas nos próximos encontros. Nesse dia Mariana Galender, iniciou o dia, a partir de algumas questões levantadas nas conversas anteriores.
A realização das oficinas surgiu a partir da demanda dos próprios “monitores”, que desde o início da formação, em novembro, reivindicaram um espaço de trocas entre todos, pois, muitos deles desenvolvem uma série de ações nas mais variadas linguagens (pintura, grafite, dança, teatro etc.).
Tendo isso em questão, no planejamento da formação, foi aberto um espaço para que, dentro da linguagem das artes plásticas e da música fosse experimentada a ação de criar, planejar, executar e avaliar uma oficina.
Para isso, no dia, Mariana reiterou a importância da realização das oficinas dentro do curso de formação e suas relações com as pesquisas desenvolvidas na parte da tarde com Ângela Castelo Branco. Elas se inserem dentro de uma metodologia maior que visa desenvolver o olhar, a pesquisa, a ação, o registro e a avaliação.
Stela Barbiere, diretora da Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake, fez uma entrada e apresentou uma série de ações e oficinas dentro do Instituto e como elas balizam uma forma de pensamento através de metodologias criadas e recriadas nas práticas cotidianas pelas pessoas que vivem aquele espaço. Esse é um lugar vivo, de formação continuada, que fornece ferramentas diferentes para pessoas diferentes, logo o respeito à pluralidade de olhares é uma premissa desse setor.
Ela apontou para metodologias com um corpo tradicional e outras mais experimentais que acontecem nos diversos cursos e no atendimento aos grupos. A formação, que está em andamento, lida com algumas metodologias, para que eles se apropriem delas e com isso criem as suas próprias estratégias de pesquisa e de oficinas.
Foi levantado um exemplo de ação que vem ocorrendo no ateliê. Os educadores do setor desenvolvem um material educativo que é distribuído nos Encontros de Professores , realizado a cada nova exposição. Cada material é composto de transparências com imagens das obras expostas, textos sobre a instituição e sobre a Tomie Ohtake, bibliografia de referência e uma reflexão que é realizada cada vez por um educador. Essa reflexão é feita de forma livre e criativa por cada um, que aponta uma maneira possível de se pensar uma problemática poética. Esses textos ganharam um corpo interessante e hoje se pensa na possível publicação dos mesmos.
Esse exemplo foi para elucidar a maneira orgânica, como as ações e metodologias ocorrem no setor e que com o tempo vão ganhando outras dimensões e outros espaços de locução.
No final foi comentado sobre os registros feitos pelos monitores do CCJ até então e a importância deles comunicarem, para que tenham a potencia de levantar questões e problematizar a mesmas a partir de um olhar pessoal e reflexivo.
Em seguida, Mariana Galender dividiu os seis grupos que irão desenvolver as pesquisas e eu (Maurício), Joana Mussi, coordenadora dos monitores e ela, fomos passando pelos grupos, ajudando nos encaminhamentos.
Passei por todos os grupos, uma questão me fez refletir minha postura; como colaborar nos encaminhamentos das oficinas sem que minhas colocações dirijam uma escolha?. Isso de certa forma perpassa todas as pessoas que lidam com educação, qual o momento certo de fazer uma intervenção? Existe esse momento?
Pela minha experiência, prefiro atuar e indicar direções a partir do momento que sou chamado ou indagado sobre certas questões. Acredito que isso não seja uma negligencia da minha parte, mas é uma confiança no outro, que é capaz por si só de resolver problemas e encontrar soluções. Acredito no espaço de diálogo horizontal entre as pessoas, em que não existe hierarquia de saberes. Essa postura nos dá mais trabalho, pois, precisamos o tempo todo estar atento a cada palavra, a cada gesto para não nos embriagarmos de nossas próprias falas.
Para isso, precisamos tomar cuidado com certos papeis que possam legitimar falas ou opiniões, a palavra final de um professor em uma sala de aula ou de um educador em uma visita orientada tende a soar como uma verdade, como um ponto final da discussão, porém acreditamos no contrário. As verdades estão relativizadas e colocadas em conflito a partir dos vários pontos de vistas, logo uma conversa, ou sugestão de encaminhamentos deve ser um espaço de conflito, de tensões, de dúvidas entre todos os envolvidos, em que todos estão em um mesmo patamar de discussão.
Obviamente, que o educador responsável pelo grupo possui uma obrigação com ele, no sentido de que possui um compromisso com a tradição (cultura), nos termos propostos pela pensadora Hannah Arendt , ou seja, um compromisso com a criação de um solo cultural comum para que os “sujeitos”, “eus”, “seres” sejam capazes de se recriar esse espaço, em um momento oportuno. Dessa forma, acredito que os “monitores” possuem um solo comum, que está em constante expansão. Esse espaço pode ser repensado e reinventado por eles mesmos e o nosso papel é colaborar para que isso aconteça, para que nos reinventemos como grupo, como coletivo, como um ser único o planeta.
Finalizando, para que tudo isso ocorresse, cheguei às oito horas ao Instituto Tomie Ohtake, verifiquei se tudo estava certo para que o encontro ocorresse como o planejado. No dia anterior, no domingo a noite, retomei todos os passos do encontro com Mariana Galender pelo telefone, como o de costume, sendo que na terça feira passada tínhamos feito uma reunião para afinarmos as estratégias do mesmo.
Ou seja, o fato da sala estar arrumada em círculo, do datashow estar preparado, do lanche chegar no horário, das reflexões estarem prontas para serem lidas exigiu uma série de ações de outras pessoas que fazem com que a coisas aconteçam no ateliê.
Registro do dia 18 de maio (tarde) – Ângela
Nos últimos encontros passamos por um ciclo intenso de questionamentos acerca das estratégias adotadas pela equipe de coordenação, sobre o sentido das pesquisas, tema das oficinas, o porquê do registro, etc. Entendo estas perguntas como um grande resultado do próprio trabalho construído, que busca a formação de sujeitos não autômatos, mas, enquanto educadora do grupo, não posso deixar de sentir o peso do comprometimento em estar o tempo todo pronta para responder tais inquietações, apontar novas formas de olhar, acolher sem resistências os problemas que me trazem e utilizar tudo isso como energia para colocar o pensamento para funcionar.
De uns tempos para cá tenho pensando que esta função não pode ser somente minha, da Mari, do Mauricio e da Joana, até porque seria impossível termos um profissional tão capacitado assim para atender a todas as demandas do grupo e também seria muito apaziguador, porque não haveria provocação e nem diálogo na horizontalidade.
Motivada pela leitura do livro Caosmose de Feliz Guatarri , que em seu último capítulo narra uma experiência de trabalho de inversão de papéis com um grupo de pacientes com psicose, propus esta mesma atividade com os monitores nesta tarde. É claro que esta atividade foi apenas uma experiência, sem a mesma radicalidade que o autor se propõe, mas acredito que esta experiência já valeu para abrirmos outras possibilidades de se pensar e agir.
Segundo Guatarri, as práticas cristalizadas sociais nos obrigam a desempenhar modos de vida também institucionalizados. Ou seja, se adotamos uma prática inerte nas tarefas do trabalho, isto implica também em uma postura passiva na vida e na nossa forma de pensar. Para ele, a alteração de papéis e responsabilidades abre uma outra perspectiva ética, não mais tecnocrática, mas criadora de novos modos de subjetividade.
Foi pensando nisso que propus para o grupo que a Luanda (monitora) exercesse o papel de Ângela (tutora do grupo) e vice-versa. Mais do que uma brincadeira, a proposta era alterar estas posturas já sabidas do nosso corpo e da prática do pensamento. Luanda aceitou a proposta e direcionou as reflexões sobre os registros do Luís e da Simone. Não conseguimos ler o registro da Regina, que ficou para a próxima semana. O próprio Luis leu o seu registro, que de tão preciso e bem elaborado não provocou perguntas sobre a intenção do texto ou sobre a sua forma: o grupo todo se viu mergulhado nos questionamentos dele. Aquelas perguntas postas no texto em forma de relato, argumento ou ironia eram as nossas mesmas perguntas. Falando de sua individualidade e assumindo uma posição diante de uma questão, Luís nos fez lembrar de nossas próprias perguntas e de nossas próprias posições.
Então conversamos (talvez mais internamente do que externamente) sobre nossa crença na relação íntima entre cultura e educação, entre formação e transformação, nas diferenças entre monitor e educador, no papel de cada um... ou seja, questões que dizem respeito ao nosso posicionamento no mundo. Um registro que é uma tomada de posição também provoca uma tomada de posição daquele que lê. Aqui ficou muito clara a importância de se pensar para quem escrever, ou seja, a intencionalidade da escrita (e pensar nisso não seria possível sem a presença da Maria das Graças).
(Luanda neste momento estava ótima, motivando o grupo e voltando-se a todo o momento para o texto, procurando algo a mais para contribuir, parecia que estava com a responsabilidade em suas mãos. Eu, como monitora, por vezes esperei uma intervenção dela. É incrível como isso muda o nosso modo de ver. Me percebi assistindo o grupo, mas logo percebi que eu era parte integrante do grupo, não podia deixar tudo na responsabilidade dela. Opinei também. Não sei se como Ângela ou como Luanda.. apontei a ela que estávamos com o tempo curto, passamos para a leitura do texto da Simone).
Simone escreveu-nos sobre o encontro com Juliano Pessanha. Infelizmente nós não tivemos tempo de conversar sobre a sua visita logo depois que ela ocorreu. Fiquei achando que ele tinha tocado em questões muito delicadas do nosso modo de pensar e podia ser que ele não fosse tão bem interpretado. E foi isso que a Simone nos trouxe em seu registro. Que ótimo! Justamente a sua inquietação com alguns conceitos que desbancam o nosso modo costumeiro de pensar. Em primeiro lugar: “o mundo é uma grande mentira”. Juliano se referiu a isto como um modo enfático de apontar que mundo ocidental pensa a partir do conceito de verdade única, objetiva e na crença de que existe um “eu” único. Para ele e para muitos filósofos contemporâneos, esta é a grande mentira do nosso mundo.
Não vamos aqui aprofundar estes conceitos, mas foi muito interessante que a Simone deixou aparecer sua inquietação e apresentou argumentos para demonstrar o quanto estava “tomada” por eles. Perguntei a ela para quem escreveu o texto e ela brilhantemente respondeu: “para mim, para o Juliano”. E pensamos: na verdade, Simone escreveu para o “Juliano” que havia ficado dentro dela.
Depois, a conversa sobre este encontro foi ficando um pouco dispersa e a Luanda tentou arrumar a situação, mas acho que não conseguimos chegar a um consenso geral. Até porque precisaríamos assistir novamente o vídeo do Juliano e discutir seus aspectos principais. Eu escrevi o registro sobre este dia, talvez pudéssemos comparar e retomar a conversa, se for importante para todos.
Percebi de modo geral que a situação de inversão de papéis começava a ficar interessante e propus um desafio: eu, enquanto Luanda, poderia escrever o registro deste encontro, e é por isso que resolvi escreve-lo em primeira pessoa, detalhando a minha visão sobre os micro-acontecimentos e os micro-olhares do dia. Gosto de olhar para o grupo enquanto estou coletando pequenos indícios de humores e quase sempre encontro os olhos da Bárbara, do Bruno, do Judson, do Odair, ou do Lucas, etc.. (mas neste dia o Lucas não estava... ou aliás, estava, pois eu me perguntava: porque será que ele não veio? e o Renato, e o Daniel, e a Mônica, a Juliana, e o Robson... estão sempre todos ali comigo, mesmo sem querer... )
Então terminamos esta conversa sobre os registros e reforcei mais uma vez que o modo de escrita e como estamos utilizando o registro no curso é apenas um dos modos de se utilizar registro, não uma verdade única. Valerá para o CCJ que o registro seja utilizado de um modo autoral e totalmente adequado à realidade e às necessidades de lá, ou seja, deverá ser reinventado. Não é interessante que as estratégias utilizadas na formação do Instituto Tomie Ohtake sejam aplicadas igualmente no CCJ.
Partimos para a discussão sobre os grupos de pesquisa. Retomamos a importância de se fazer a pesquisa em grupo, cujo objetivo é a negociação e a construção coletiva de um modo de pensar a realidade. Para nós não importa um tema bem desenvolvido se todo o grupo não está apropriado da questão ou se apenas uma pessoa se interessou ou desenvolveu o tema.
Dividimos a sala em pequenos grupos e acrescentamos mesas de trabalho com referências bibliográficas sugeridas pelos convidados de cada área. Os grupos selecionaram alguns textos, pesquisaram na internet, traçaram novas ações e no final do dia apresentaram as próximas ações. Ficou definido que para a próxima tarde alguns grupos iriam sair para realizar entrevistas e outros permaneceriam trabalhando a partir de dados coletados durante a semana.
Todos apresentaram seus encaminhamentos e a Luanda conduziu o fechamento do dia. Neste momento o grupo se parecia mais com um “comitê de trabalho” para definir as estratégias de “guerra” do que com uma manada desorganizada de búfalos. Havia até um grupo que foi misterioso em nos dizer sobre suas próprias ações...
Segundo ela, esta mudança de papel garantiu que ela ficasse “mais atenta” ao dia. Para mim, esta mudança me fez lembrar de uma frase do próprio Guatarri: “um conceito só vale pela vida que lhe é dada”. Então, começo a perceber que o aprender está diretamente ligado ao fazer, a uma tomada de posição rotineira e revelada em cada fala, deslocamento ou gesto que produzimos.
“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.”
Escrever as Entrelinhas. Clarice Lispector
Na parte da manhã do dia 18 de maio de 2009, no curso de Formação dos jovens do Centro Cultural da Juventude - CCJ, que acontece no Instituto Tomie Ohtake, foram desenvolvidos os planejamentos das oficinas, que serão realizadas nos próximos encontros. Nesse dia Mariana Galender, iniciou o dia, a partir de algumas questões levantadas nas conversas anteriores.
A realização das oficinas surgiu a partir da demanda dos próprios “monitores”, que desde o início da formação, em novembro, reivindicaram um espaço de trocas entre todos, pois, muitos deles desenvolvem uma série de ações nas mais variadas linguagens (pintura, grafite, dança, teatro etc.).
Tendo isso em questão, no planejamento da formação, foi aberto um espaço para que, dentro da linguagem das artes plásticas e da música fosse experimentada a ação de criar, planejar, executar e avaliar uma oficina.
Para isso, no dia, Mariana reiterou a importância da realização das oficinas dentro do curso de formação e suas relações com as pesquisas desenvolvidas na parte da tarde com Ângela Castelo Branco. Elas se inserem dentro de uma metodologia maior que visa desenvolver o olhar, a pesquisa, a ação, o registro e a avaliação.
Stela Barbiere, diretora da Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake, fez uma entrada e apresentou uma série de ações e oficinas dentro do Instituto e como elas balizam uma forma de pensamento através de metodologias criadas e recriadas nas práticas cotidianas pelas pessoas que vivem aquele espaço. Esse é um lugar vivo, de formação continuada, que fornece ferramentas diferentes para pessoas diferentes, logo o respeito à pluralidade de olhares é uma premissa desse setor.
Ela apontou para metodologias com um corpo tradicional e outras mais experimentais que acontecem nos diversos cursos e no atendimento aos grupos. A formação, que está em andamento, lida com algumas metodologias, para que eles se apropriem delas e com isso criem as suas próprias estratégias de pesquisa e de oficinas.
Foi levantado um exemplo de ação que vem ocorrendo no ateliê. Os educadores do setor desenvolvem um material educativo que é distribuído nos Encontros de Professores , realizado a cada nova exposição. Cada material é composto de transparências com imagens das obras expostas, textos sobre a instituição e sobre a Tomie Ohtake, bibliografia de referência e uma reflexão que é realizada cada vez por um educador. Essa reflexão é feita de forma livre e criativa por cada um, que aponta uma maneira possível de se pensar uma problemática poética. Esses textos ganharam um corpo interessante e hoje se pensa na possível publicação dos mesmos.
Esse exemplo foi para elucidar a maneira orgânica, como as ações e metodologias ocorrem no setor e que com o tempo vão ganhando outras dimensões e outros espaços de locução.
No final foi comentado sobre os registros feitos pelos monitores do CCJ até então e a importância deles comunicarem, para que tenham a potencia de levantar questões e problematizar a mesmas a partir de um olhar pessoal e reflexivo.
Em seguida, Mariana Galender dividiu os seis grupos que irão desenvolver as pesquisas e eu (Maurício), Joana Mussi, coordenadora dos monitores e ela, fomos passando pelos grupos, ajudando nos encaminhamentos.
Passei por todos os grupos, uma questão me fez refletir minha postura; como colaborar nos encaminhamentos das oficinas sem que minhas colocações dirijam uma escolha?. Isso de certa forma perpassa todas as pessoas que lidam com educação, qual o momento certo de fazer uma intervenção? Existe esse momento?
Pela minha experiência, prefiro atuar e indicar direções a partir do momento que sou chamado ou indagado sobre certas questões. Acredito que isso não seja uma negligencia da minha parte, mas é uma confiança no outro, que é capaz por si só de resolver problemas e encontrar soluções. Acredito no espaço de diálogo horizontal entre as pessoas, em que não existe hierarquia de saberes. Essa postura nos dá mais trabalho, pois, precisamos o tempo todo estar atento a cada palavra, a cada gesto para não nos embriagarmos de nossas próprias falas.
Para isso, precisamos tomar cuidado com certos papeis que possam legitimar falas ou opiniões, a palavra final de um professor em uma sala de aula ou de um educador em uma visita orientada tende a soar como uma verdade, como um ponto final da discussão, porém acreditamos no contrário. As verdades estão relativizadas e colocadas em conflito a partir dos vários pontos de vistas, logo uma conversa, ou sugestão de encaminhamentos deve ser um espaço de conflito, de tensões, de dúvidas entre todos os envolvidos, em que todos estão em um mesmo patamar de discussão.
Obviamente, que o educador responsável pelo grupo possui uma obrigação com ele, no sentido de que possui um compromisso com a tradição (cultura), nos termos propostos pela pensadora Hannah Arendt , ou seja, um compromisso com a criação de um solo cultural comum para que os “sujeitos”, “eus”, “seres” sejam capazes de se recriar esse espaço, em um momento oportuno. Dessa forma, acredito que os “monitores” possuem um solo comum, que está em constante expansão. Esse espaço pode ser repensado e reinventado por eles mesmos e o nosso papel é colaborar para que isso aconteça, para que nos reinventemos como grupo, como coletivo, como um ser único o planeta.
Finalizando, para que tudo isso ocorresse, cheguei às oito horas ao Instituto Tomie Ohtake, verifiquei se tudo estava certo para que o encontro ocorresse como o planejado. No dia anterior, no domingo a noite, retomei todos os passos do encontro com Mariana Galender pelo telefone, como o de costume, sendo que na terça feira passada tínhamos feito uma reunião para afinarmos as estratégias do mesmo.
Ou seja, o fato da sala estar arrumada em círculo, do datashow estar preparado, do lanche chegar no horário, das reflexões estarem prontas para serem lidas exigiu uma série de ações de outras pessoas que fazem com que a coisas aconteçam no ateliê.
Registro do dia 18 de maio (tarde) – Ângela
Nos últimos encontros passamos por um ciclo intenso de questionamentos acerca das estratégias adotadas pela equipe de coordenação, sobre o sentido das pesquisas, tema das oficinas, o porquê do registro, etc. Entendo estas perguntas como um grande resultado do próprio trabalho construído, que busca a formação de sujeitos não autômatos, mas, enquanto educadora do grupo, não posso deixar de sentir o peso do comprometimento em estar o tempo todo pronta para responder tais inquietações, apontar novas formas de olhar, acolher sem resistências os problemas que me trazem e utilizar tudo isso como energia para colocar o pensamento para funcionar.
De uns tempos para cá tenho pensando que esta função não pode ser somente minha, da Mari, do Mauricio e da Joana, até porque seria impossível termos um profissional tão capacitado assim para atender a todas as demandas do grupo e também seria muito apaziguador, porque não haveria provocação e nem diálogo na horizontalidade.
Motivada pela leitura do livro Caosmose de Feliz Guatarri , que em seu último capítulo narra uma experiência de trabalho de inversão de papéis com um grupo de pacientes com psicose, propus esta mesma atividade com os monitores nesta tarde. É claro que esta atividade foi apenas uma experiência, sem a mesma radicalidade que o autor se propõe, mas acredito que esta experiência já valeu para abrirmos outras possibilidades de se pensar e agir.
Segundo Guatarri, as práticas cristalizadas sociais nos obrigam a desempenhar modos de vida também institucionalizados. Ou seja, se adotamos uma prática inerte nas tarefas do trabalho, isto implica também em uma postura passiva na vida e na nossa forma de pensar. Para ele, a alteração de papéis e responsabilidades abre uma outra perspectiva ética, não mais tecnocrática, mas criadora de novos modos de subjetividade.
Foi pensando nisso que propus para o grupo que a Luanda (monitora) exercesse o papel de Ângela (tutora do grupo) e vice-versa. Mais do que uma brincadeira, a proposta era alterar estas posturas já sabidas do nosso corpo e da prática do pensamento. Luanda aceitou a proposta e direcionou as reflexões sobre os registros do Luís e da Simone. Não conseguimos ler o registro da Regina, que ficou para a próxima semana. O próprio Luis leu o seu registro, que de tão preciso e bem elaborado não provocou perguntas sobre a intenção do texto ou sobre a sua forma: o grupo todo se viu mergulhado nos questionamentos dele. Aquelas perguntas postas no texto em forma de relato, argumento ou ironia eram as nossas mesmas perguntas. Falando de sua individualidade e assumindo uma posição diante de uma questão, Luís nos fez lembrar de nossas próprias perguntas e de nossas próprias posições.
Então conversamos (talvez mais internamente do que externamente) sobre nossa crença na relação íntima entre cultura e educação, entre formação e transformação, nas diferenças entre monitor e educador, no papel de cada um... ou seja, questões que dizem respeito ao nosso posicionamento no mundo. Um registro que é uma tomada de posição também provoca uma tomada de posição daquele que lê. Aqui ficou muito clara a importância de se pensar para quem escrever, ou seja, a intencionalidade da escrita (e pensar nisso não seria possível sem a presença da Maria das Graças).
(Luanda neste momento estava ótima, motivando o grupo e voltando-se a todo o momento para o texto, procurando algo a mais para contribuir, parecia que estava com a responsabilidade em suas mãos. Eu, como monitora, por vezes esperei uma intervenção dela. É incrível como isso muda o nosso modo de ver. Me percebi assistindo o grupo, mas logo percebi que eu era parte integrante do grupo, não podia deixar tudo na responsabilidade dela. Opinei também. Não sei se como Ângela ou como Luanda.. apontei a ela que estávamos com o tempo curto, passamos para a leitura do texto da Simone).
Simone escreveu-nos sobre o encontro com Juliano Pessanha. Infelizmente nós não tivemos tempo de conversar sobre a sua visita logo depois que ela ocorreu. Fiquei achando que ele tinha tocado em questões muito delicadas do nosso modo de pensar e podia ser que ele não fosse tão bem interpretado. E foi isso que a Simone nos trouxe em seu registro. Que ótimo! Justamente a sua inquietação com alguns conceitos que desbancam o nosso modo costumeiro de pensar. Em primeiro lugar: “o mundo é uma grande mentira”. Juliano se referiu a isto como um modo enfático de apontar que mundo ocidental pensa a partir do conceito de verdade única, objetiva e na crença de que existe um “eu” único. Para ele e para muitos filósofos contemporâneos, esta é a grande mentira do nosso mundo.
Não vamos aqui aprofundar estes conceitos, mas foi muito interessante que a Simone deixou aparecer sua inquietação e apresentou argumentos para demonstrar o quanto estava “tomada” por eles. Perguntei a ela para quem escreveu o texto e ela brilhantemente respondeu: “para mim, para o Juliano”. E pensamos: na verdade, Simone escreveu para o “Juliano” que havia ficado dentro dela.
Depois, a conversa sobre este encontro foi ficando um pouco dispersa e a Luanda tentou arrumar a situação, mas acho que não conseguimos chegar a um consenso geral. Até porque precisaríamos assistir novamente o vídeo do Juliano e discutir seus aspectos principais. Eu escrevi o registro sobre este dia, talvez pudéssemos comparar e retomar a conversa, se for importante para todos.
Percebi de modo geral que a situação de inversão de papéis começava a ficar interessante e propus um desafio: eu, enquanto Luanda, poderia escrever o registro deste encontro, e é por isso que resolvi escreve-lo em primeira pessoa, detalhando a minha visão sobre os micro-acontecimentos e os micro-olhares do dia. Gosto de olhar para o grupo enquanto estou coletando pequenos indícios de humores e quase sempre encontro os olhos da Bárbara, do Bruno, do Judson, do Odair, ou do Lucas, etc.. (mas neste dia o Lucas não estava... ou aliás, estava, pois eu me perguntava: porque será que ele não veio? e o Renato, e o Daniel, e a Mônica, a Juliana, e o Robson... estão sempre todos ali comigo, mesmo sem querer... )
Então terminamos esta conversa sobre os registros e reforcei mais uma vez que o modo de escrita e como estamos utilizando o registro no curso é apenas um dos modos de se utilizar registro, não uma verdade única. Valerá para o CCJ que o registro seja utilizado de um modo autoral e totalmente adequado à realidade e às necessidades de lá, ou seja, deverá ser reinventado. Não é interessante que as estratégias utilizadas na formação do Instituto Tomie Ohtake sejam aplicadas igualmente no CCJ.
Partimos para a discussão sobre os grupos de pesquisa. Retomamos a importância de se fazer a pesquisa em grupo, cujo objetivo é a negociação e a construção coletiva de um modo de pensar a realidade. Para nós não importa um tema bem desenvolvido se todo o grupo não está apropriado da questão ou se apenas uma pessoa se interessou ou desenvolveu o tema.
Dividimos a sala em pequenos grupos e acrescentamos mesas de trabalho com referências bibliográficas sugeridas pelos convidados de cada área. Os grupos selecionaram alguns textos, pesquisaram na internet, traçaram novas ações e no final do dia apresentaram as próximas ações. Ficou definido que para a próxima tarde alguns grupos iriam sair para realizar entrevistas e outros permaneceriam trabalhando a partir de dados coletados durante a semana.
Todos apresentaram seus encaminhamentos e a Luanda conduziu o fechamento do dia. Neste momento o grupo se parecia mais com um “comitê de trabalho” para definir as estratégias de “guerra” do que com uma manada desorganizada de búfalos. Havia até um grupo que foi misterioso em nos dizer sobre suas próprias ações...
Segundo ela, esta mudança de papel garantiu que ela ficasse “mais atenta” ao dia. Para mim, esta mudança me fez lembrar de uma frase do próprio Guatarri: “um conceito só vale pela vida que lhe é dada”. Então, começo a perceber que o aprender está diretamente ligado ao fazer, a uma tomada de posição rotineira e revelada em cada fala, deslocamento ou gesto que produzimos.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Encontro com a Zá – 27/04/08
MÔNICA/OCAMINHO/THAÍS
Cheguei ao instituto às 09:09, fui ao banheiro tomar um banho de gato para ir até a sala onde de costume rolam os encontros.
Ah! O caminho:
Como alguns já sabem comecei à alguns dias minha jornada ciclística, na qual estou indo ao Tomie Ohtake de bicicleta. Tinha me programado em ir de bike na segunda (27/04/09). O tempo não colaborava, estava nublado com uma garoinha bem fina, juro que até pensei em ir de ônibus, porém, não quis fugir de um compromisso comigo (acho que posso relacionar com o planejamento que devo fazer em oficinas futuras, como citou a Zá).
Comia um pedaço de cuscuz, olhava pela janela, garoa; trocava a estação do rádio, garoa; calçava os sapatos, ainda garoa. Já quase 08:00h uma leve vontade de cagar me passa pela barriga; o fato não estava nos planos, pensei enquanto isso pudesse cessar a garoa; finda o processo, a janela, garoa ainda. No relógio, já 08:20h, pronto, planejamento prestes a se cumprir: se fosse de ônibus, saíndo às 08:20h, chegaria por volta de 09:40h, de bike sem dúvida seria bem mais rápido, como se nota na primeira linha do texto.
O caminho não foi muito agradável, me molhei inteiro, tanto de suor quanto da garoa. Precisava chegar e pedalava cada vez mais rápido para não me atrasar muito, e às 09:13h estava adentrando a sala (uma mesa ao centro cheio de cadernos de registros e algumas fotos) uma garota não conhecida falaria conosco sobre registro; meu deus, registro? Isso, mas não se assuste, foi uma boa exposição; talvez por ela contar coisas pessoais ficou gostoso.
Ela pediu para que falássemos nossos nomes e nossa relação com registros, isso feito apareceu algumas coisas:
PARA QUEM?
POR QUE?
ESCRITO?
FOTOGRAFICO?
MEMORIA?
FALADO?
PERIGOSO?
Memória e Falado também são registros?
Ela é bem parecida com a Mary (faz sentido, faz sentido?), e o encontro mesmo se tratando de registro teve um bom andamento, acho que por termos o hábito de valorizar sempre o de fora, o estranho.
Achei super verdadeiro ela falar do filho, dos sonhos (esse, incentivador do registro); o jacarezar trouxe o Daniel para a roda, o fazer sentido fez com que o Edson e Luis despertassem opiniões contrárias, o Odair perguntou se ela recordava do sonho ao ler as anotações.
Na apresentação de power point feito pela Zá, e depois folheando o livro da Nise da Silveira (na parte da tarde), percebi algumas relações nos desenhos dos alunos da Zá e nos pacientes da Nise. Fiquei chocado com a semelhança e até comentei com o Bruno Perê: aquelas coisas (desenhos e pinturas) é que são obras verdadeiramente artísticas; isso devido às criações serem genuínas. Genuínas no sentido de que eles (os alunos e os ditos esquizofrênicos) não estão presos/perdidos em pensamentos lógicos e dominados pela razão; não a razão pura e sim a razão que conhecemos, uma razão enganadora, uma razão que sempre leva vantagem, uma razão falsa onde não podemos ser sinceros, uma razão visual, enfim uma falsa razão.
O por que do registro
Em momento algum pensei em fazer o registro desse encontro, no entanto por volta das 00:05h do dia 28/04/09 acordo com uma dor (dormência) no ombro esquerdo em decorrência a um ataque de um gato. Isso mesmo!
Depois de um turbilhão de sonhos, desconexos entre si mas que todo coerente com o que vivi no dia anterior e outros fatos recentes, acordo com uma angústia do tamanho de tamanho querendo entender, compartilhar; sobrou para o Bruno, enquanto fui lembrando dos sonhos, ainda deitado, comecei a chorar e chorar (lembrei do choro da Ângela), peguei o telefone, liguei para o Bruno e pedir para me lembrar disso depois. Desliguei o telefone e continuei a chorar, nesse momento foi que lembrei do encontro com a Zá, nos desenhos das crianças, no livro da Nise, em coisas acontecidas. Uma certa vontade de fazer o registro e o medo de levantar e esquecer de tudo que havia sonhado/acontecido.
“Se o mais sábio dos homens quiser conhecer a loucura, que reflita sobre o curso de suas idéias durante seus sonhos.”
“Os sonhos inquietos são realmente uma loucura passageira.”
Tarde
Texto do Fernando Pessoa, o choro falado da educadora, as formas de registro e...
O mau disse para a Ângela que estávamos na dúvida em como faríamos a conexão entre as pesquisas e as prováveis oficinas que faremos, levando em conta os temas já trabalhados (música e artes plásticas).
Para tudo! (gosto disso)
Deveríamos fazer isso com o mundo!
A Ângela para tentar resolver nossas angústias, nos apresentou o motivo da proposta de trabalharmos com tais temas.
Parece-me que todos entenderam.
Uma vez esclarecidas as duvidas, separamos a turma em dois grupos grandes, quem vai trabalhar com musica e artes plásticas. Dentro desses grupos houve uma subdivisão em grupos menores. Alguns já tinha em mente o que gostariam de trabalhar, outros definiram na hora e alguns ainda não definiram. Depois de tudo entendido e dividido lemos o relatório da Thaís. Após a leitura e o elefante branco uma atividade para entender a comunhão das idéias que permeiam as pesquisas, incompleto.
O sonho
Hoje fui algo!
A casa vazia. O vizinho dos fundos. O empréstimo da luz.
O medo do curto circuito.
A enchente dentro do ônibus. O flutuar. A lembrança de um filme.
O quarto pequeno. As sujeiras junto a mim.
Bosta de galinha e de gente. O colchão podre.
O local desconhecido. A visita do pai e do tio (xele).
Os momentos de serenidade. Os momentos perturbados.
As brigas. Os super poderes. O lago. O local junto ao lago.
A casa grande. A festa. As escadas. A Aline (baia).
O passinho de dança. O desmaio na dança. O povo do CCJ.
O desligamento. A percepção do todo.
As idas e vindas do pensamento. O não querer acordar.
A falta de atenção. O pentear do cabelo.
A lavagem do não pente na pia. O Arlindo e a família.
A propriedade na paulista. A troca.
O prédio com minha casa em baixo. A mesma casa vazia. A pia.
Os cabelos descendo. O olhar do outro.
A vontade de revelar. A vontade de acordar.
O ataque do gato pelas costas. Os dentes e garras do gato. O grito.
O choro. A briga com o gato. A dor no braço esquerdo.
Acordo não acordo. Acordo com a dor do sonho no braço.
Judson
MÔNICA/OCAMINHO/THAÍS
Cheguei ao instituto às 09:09, fui ao banheiro tomar um banho de gato para ir até a sala onde de costume rolam os encontros.
Ah! O caminho:
Como alguns já sabem comecei à alguns dias minha jornada ciclística, na qual estou indo ao Tomie Ohtake de bicicleta. Tinha me programado em ir de bike na segunda (27/04/09). O tempo não colaborava, estava nublado com uma garoinha bem fina, juro que até pensei em ir de ônibus, porém, não quis fugir de um compromisso comigo (acho que posso relacionar com o planejamento que devo fazer em oficinas futuras, como citou a Zá).
Comia um pedaço de cuscuz, olhava pela janela, garoa; trocava a estação do rádio, garoa; calçava os sapatos, ainda garoa. Já quase 08:00h uma leve vontade de cagar me passa pela barriga; o fato não estava nos planos, pensei enquanto isso pudesse cessar a garoa; finda o processo, a janela, garoa ainda. No relógio, já 08:20h, pronto, planejamento prestes a se cumprir: se fosse de ônibus, saíndo às 08:20h, chegaria por volta de 09:40h, de bike sem dúvida seria bem mais rápido, como se nota na primeira linha do texto.
O caminho não foi muito agradável, me molhei inteiro, tanto de suor quanto da garoa. Precisava chegar e pedalava cada vez mais rápido para não me atrasar muito, e às 09:13h estava adentrando a sala (uma mesa ao centro cheio de cadernos de registros e algumas fotos) uma garota não conhecida falaria conosco sobre registro; meu deus, registro? Isso, mas não se assuste, foi uma boa exposição; talvez por ela contar coisas pessoais ficou gostoso.
Ela pediu para que falássemos nossos nomes e nossa relação com registros, isso feito apareceu algumas coisas:
PARA QUEM?
POR QUE?
ESCRITO?
FOTOGRAFICO?
MEMORIA?
FALADO?
PERIGOSO?
Memória e Falado também são registros?
Ela é bem parecida com a Mary (faz sentido, faz sentido?), e o encontro mesmo se tratando de registro teve um bom andamento, acho que por termos o hábito de valorizar sempre o de fora, o estranho.
Achei super verdadeiro ela falar do filho, dos sonhos (esse, incentivador do registro); o jacarezar trouxe o Daniel para a roda, o fazer sentido fez com que o Edson e Luis despertassem opiniões contrárias, o Odair perguntou se ela recordava do sonho ao ler as anotações.
Na apresentação de power point feito pela Zá, e depois folheando o livro da Nise da Silveira (na parte da tarde), percebi algumas relações nos desenhos dos alunos da Zá e nos pacientes da Nise. Fiquei chocado com a semelhança e até comentei com o Bruno Perê: aquelas coisas (desenhos e pinturas) é que são obras verdadeiramente artísticas; isso devido às criações serem genuínas. Genuínas no sentido de que eles (os alunos e os ditos esquizofrênicos) não estão presos/perdidos em pensamentos lógicos e dominados pela razão; não a razão pura e sim a razão que conhecemos, uma razão enganadora, uma razão que sempre leva vantagem, uma razão falsa onde não podemos ser sinceros, uma razão visual, enfim uma falsa razão.
O por que do registro
Em momento algum pensei em fazer o registro desse encontro, no entanto por volta das 00:05h do dia 28/04/09 acordo com uma dor (dormência) no ombro esquerdo em decorrência a um ataque de um gato. Isso mesmo!
Depois de um turbilhão de sonhos, desconexos entre si mas que todo coerente com o que vivi no dia anterior e outros fatos recentes, acordo com uma angústia do tamanho de tamanho querendo entender, compartilhar; sobrou para o Bruno, enquanto fui lembrando dos sonhos, ainda deitado, comecei a chorar e chorar (lembrei do choro da Ângela), peguei o telefone, liguei para o Bruno e pedir para me lembrar disso depois. Desliguei o telefone e continuei a chorar, nesse momento foi que lembrei do encontro com a Zá, nos desenhos das crianças, no livro da Nise, em coisas acontecidas. Uma certa vontade de fazer o registro e o medo de levantar e esquecer de tudo que havia sonhado/acontecido.
“Se o mais sábio dos homens quiser conhecer a loucura, que reflita sobre o curso de suas idéias durante seus sonhos.”
“Os sonhos inquietos são realmente uma loucura passageira.”
Tarde
Texto do Fernando Pessoa, o choro falado da educadora, as formas de registro e...
O mau disse para a Ângela que estávamos na dúvida em como faríamos a conexão entre as pesquisas e as prováveis oficinas que faremos, levando em conta os temas já trabalhados (música e artes plásticas).
Para tudo! (gosto disso)
Deveríamos fazer isso com o mundo!
A Ângela para tentar resolver nossas angústias, nos apresentou o motivo da proposta de trabalharmos com tais temas.
Parece-me que todos entenderam.
Uma vez esclarecidas as duvidas, separamos a turma em dois grupos grandes, quem vai trabalhar com musica e artes plásticas. Dentro desses grupos houve uma subdivisão em grupos menores. Alguns já tinha em mente o que gostariam de trabalhar, outros definiram na hora e alguns ainda não definiram. Depois de tudo entendido e dividido lemos o relatório da Thaís. Após a leitura e o elefante branco uma atividade para entender a comunhão das idéias que permeiam as pesquisas, incompleto.
O sonho
Hoje fui algo!
A casa vazia. O vizinho dos fundos. O empréstimo da luz.
O medo do curto circuito.
A enchente dentro do ônibus. O flutuar. A lembrança de um filme.
O quarto pequeno. As sujeiras junto a mim.
Bosta de galinha e de gente. O colchão podre.
O local desconhecido. A visita do pai e do tio (xele).
Os momentos de serenidade. Os momentos perturbados.
As brigas. Os super poderes. O lago. O local junto ao lago.
A casa grande. A festa. As escadas. A Aline (baia).
O passinho de dança. O desmaio na dança. O povo do CCJ.
O desligamento. A percepção do todo.
As idas e vindas do pensamento. O não querer acordar.
A falta de atenção. O pentear do cabelo.
A lavagem do não pente na pia. O Arlindo e a família.
A propriedade na paulista. A troca.
O prédio com minha casa em baixo. A mesma casa vazia. A pia.
Os cabelos descendo. O olhar do outro.
A vontade de revelar. A vontade de acordar.
O ataque do gato pelas costas. Os dentes e garras do gato. O grito.
O choro. A briga com o gato. A dor no braço esquerdo.
Acordo não acordo. Acordo com a dor do sonho no braço.
Judson
terça-feira, 28 de abril de 2009
Registro do dia 06/04/2009: Encontros com Cartier-Bresson e Juliano Pessanha
Encontro com Bresson pela manhã: Cartier-Bresson foi repórter fotográfico do século XX, grande nome da escola francesa de fotografia e um interessante desenhista.
O encontro com Cartier-Bresson se deu pela manhã e por intermédio do vídeo. Dizia Bresson naquela tela grande, daquele jeito francês traduzido em legendas: “é necessário transcrever as idéias no papel (pelo desenho, pela escrita), mesmo que sejam ruins”. O apelo ao registro é insistência na possibilidade de materializar idéias, de expô-las ao mundo e colocá-las em comunhão com um outro sempre diferente de si. Só a comunhão com um outro pode dar vida às idéias que estavam ali guardadas dentro da gente.
Um pouco antes de Bresson havíamos visitado as pinturas feitas por nós mesmos . As pinturas foram feitas após visita à exposição “Mestres Latino-Americanos na Coleção Femsa” e me ajudou a exercitar a difícil função de traçar em linhas de desenhos, o que imagino em traços de palavras. Saiu ruim, valeu o exercício; gostaria de exercitar mais. Temos conversado muito, dentro do grupo, sobre quão difícil é racionalizar nossas impressões, emoções, linguagens e aprendizados nos limites do registro escrito. Às vezes, em avesso, minha racionalidade também me impede de traçar livremente a imaginação em linguagens não verbais. A razão também bloqueia possibilidades de embrenhamento em veredas do desconhecido...
Bresson, em grande exercício de autoria, desenhava cenas da realidade no papel que eram muito parecidas com as cenas que registrava em fotografia. Seu registro técnico fotográfico, tanto quanto o desenho rabiscado, era também um registro autoral, um foco de intencionalidade. Achei algo de Bresson que traz em curtas palavras e de forma bem legal esta reflexão da “intencionalidade” na fotografia... Está em uma entrevista que concedeu ao Estadão, na qual diz:
“Pode-se fazer qualquer coisa com uma máquina fotográfica. Só é difícil descascar uma batata com ela. Todos são fotógrafos, há tantos fotógrafos no mundo quanto aparelhos, não é? (...) Não tenho nada contra, mas, para mim, só há uma coisinha na fotografia, um aspecto bem pequeno, que me cativa o espírito: a observação da realidade.”
E penso que esta realidade não pode existir senão como percepção sua, como observação de um sujeito que olha, registra e expõe. E que expondo a obra sua, está expondo a si próprio, apresentando uma parte de si ao mundo dos homens. A autoria só pode se dar a partir deste acordo inicial que é a disposição em se expor.
Ao fotografar, outra parte de dentro do ser de Bresson, diferente do olho e diferente da máquina, interage com o mundo. Bresson, ao fazer um retrato, diz esperar, em exercício de minúcia, “o silêncio interior, o silêncio dentro da pessoa”. Sua fotografia, sendo ainda observação da realidade, não deixa nenhum pouco de ser poesia. A passagem de uma a outra se dá ali, dentro daquele tempo, no exercício da espera, no aguardar do silêncio. O silêncio é, neste caso, a forma de construção de um momento, onde alguma verdade se instaura diante dos olhos do poeta. Manoel de Barros diz uma coisa bem intrigante sobre esta “verdade”, e é neste sentido que eu a emprego aqui. Ele diz assim: “Tudo o que não invento é falso”.
E esta questão sobre a idéia de “verdade” nos traz algo tão grandioso quanto, que é a fundamental necessidade da invenção para nos fazermos vivos, para realizarmos este privilégio que é a possibilidade de preencher nosso mundo de sentido e criação! Inventar é também um exercício de linguagem: só cortando as amarras da linguagem é que podemos liberar a imaginação. Boto mais um pouco de Manoel de Barros aqui, olha o que ele diz:
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo” – As lições de RQ. Em: Livro Sobre o Nada.
Inventar (minha nossa!) é uma forma de deslocamento: é tirar as coisas dos devidos lugares e aprender a lidar com o indevido das coisas.
Encontro com Juliano Pessanha: filósofo contemporâneo, autor da trilogia “Sabedoria do Nunca”, “Ignorância do Sempre” e “Certeza do Agora”.
Gostei de entender que, neste encontro, Juliano Pessanha nos falou de amor e dor. Poderia ter entendido uma série de outras coisas, mas por ora, escolho assim. Para tratar da idéia de amor, eu abuso e utilizo outro trecho de Manoel de Barros. Este saiu de “Ruína” e está no livro: Ensaios Fotográficos.
“Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono não pode ser apenas de um homem debaixo da ponte (...) O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (...) digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo.”
Anotei uma coisa de Juliano Pessanha que é mais ou menos isso: “Eu vejo o amor como uma grande mentira. É uma promessa que nunca se realiza”. Quando disse isso, lembrei de um conto de Guimarães Rosa onde um personagem chamado João Porém se apaixona pelo amor de uma mulher inventada. Quando lhe é revelado a inexistência da moça, o sentimento de abandono gerado pelo amor vazio é, ainda assim, preenchido todo com a força do seu amor criado.
O amor é você partilhar o abandono. A dor, por fim é esta experiência do desabamento, que desloca e transforma o homem instituído e a narrativa morta, em palavra viva e num homem aberto para adentramentos (no encontro, Pessanha chamava isso de “cuia”). É nisso que me agrada suas idéias de destruição: na ruína, vejo a possibilidade do novo. Inventar é, para mim, uma das formas mais intensas de dar ouvidos aos inúmeros desabamentos do mundo. E deixar de reagir com indiferença aos escombros que o mundo e a sociedade produz.
A poesia, como liberação da linguagem, deve ser não a morada do amor harmônico, mas o abrigo do desassossego da pergunta que tira do eixo as verdades instituídas. Sendo assim, decido por me expor e encerro o registro com uma pergunta de Pessanha e algo que escrevi uma vez, refletindo sobre a imensidade de beleza que existe no mundão, escondida sob outra imensidão de preconceitos e besteiras.
“Viver cabe na caixa ou provoca feridas?”
Desfiz as tranças crespas de meu cabelo e desalinhei.
Resolvi por desobedecer todas as linhas do rosto.
Sujei a face, borrei todos os lábios de um batom também esfacelado.
Enlouqueci ali. Afundei em surto imundo.
Cortei, arranquei as partes do meu corpo.
Até desabar aquelas idéias mortas,
penduradas em cada fio da minha pele,
e encontrar uma imensidade de belezas
insuperáveis ali,
bem ali... naquela entranha de mim.
(Bárbara)
O encontro com Cartier-Bresson se deu pela manhã e por intermédio do vídeo. Dizia Bresson naquela tela grande, daquele jeito francês traduzido em legendas: “é necessário transcrever as idéias no papel (pelo desenho, pela escrita), mesmo que sejam ruins”. O apelo ao registro é insistência na possibilidade de materializar idéias, de expô-las ao mundo e colocá-las em comunhão com um outro sempre diferente de si. Só a comunhão com um outro pode dar vida às idéias que estavam ali guardadas dentro da gente.
Um pouco antes de Bresson havíamos visitado as pinturas feitas por nós mesmos . As pinturas foram feitas após visita à exposição “Mestres Latino-Americanos na Coleção Femsa” e me ajudou a exercitar a difícil função de traçar em linhas de desenhos, o que imagino em traços de palavras. Saiu ruim, valeu o exercício; gostaria de exercitar mais. Temos conversado muito, dentro do grupo, sobre quão difícil é racionalizar nossas impressões, emoções, linguagens e aprendizados nos limites do registro escrito. Às vezes, em avesso, minha racionalidade também me impede de traçar livremente a imaginação em linguagens não verbais. A razão também bloqueia possibilidades de embrenhamento em veredas do desconhecido...
Bresson, em grande exercício de autoria, desenhava cenas da realidade no papel que eram muito parecidas com as cenas que registrava em fotografia. Seu registro técnico fotográfico, tanto quanto o desenho rabiscado, era também um registro autoral, um foco de intencionalidade. Achei algo de Bresson que traz em curtas palavras e de forma bem legal esta reflexão da “intencionalidade” na fotografia... Está em uma entrevista que concedeu ao Estadão, na qual diz:
“Pode-se fazer qualquer coisa com uma máquina fotográfica. Só é difícil descascar uma batata com ela. Todos são fotógrafos, há tantos fotógrafos no mundo quanto aparelhos, não é? (...) Não tenho nada contra, mas, para mim, só há uma coisinha na fotografia, um aspecto bem pequeno, que me cativa o espírito: a observação da realidade.”
E penso que esta realidade não pode existir senão como percepção sua, como observação de um sujeito que olha, registra e expõe. E que expondo a obra sua, está expondo a si próprio, apresentando uma parte de si ao mundo dos homens. A autoria só pode se dar a partir deste acordo inicial que é a disposição em se expor.
Ao fotografar, outra parte de dentro do ser de Bresson, diferente do olho e diferente da máquina, interage com o mundo. Bresson, ao fazer um retrato, diz esperar, em exercício de minúcia, “o silêncio interior, o silêncio dentro da pessoa”. Sua fotografia, sendo ainda observação da realidade, não deixa nenhum pouco de ser poesia. A passagem de uma a outra se dá ali, dentro daquele tempo, no exercício da espera, no aguardar do silêncio. O silêncio é, neste caso, a forma de construção de um momento, onde alguma verdade se instaura diante dos olhos do poeta. Manoel de Barros diz uma coisa bem intrigante sobre esta “verdade”, e é neste sentido que eu a emprego aqui. Ele diz assim: “Tudo o que não invento é falso”.
E esta questão sobre a idéia de “verdade” nos traz algo tão grandioso quanto, que é a fundamental necessidade da invenção para nos fazermos vivos, para realizarmos este privilégio que é a possibilidade de preencher nosso mundo de sentido e criação! Inventar é também um exercício de linguagem: só cortando as amarras da linguagem é que podemos liberar a imaginação. Boto mais um pouco de Manoel de Barros aqui, olha o que ele diz:
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo” – As lições de RQ. Em: Livro Sobre o Nada.
Inventar (minha nossa!) é uma forma de deslocamento: é tirar as coisas dos devidos lugares e aprender a lidar com o indevido das coisas.
Encontro com Juliano Pessanha: filósofo contemporâneo, autor da trilogia “Sabedoria do Nunca”, “Ignorância do Sempre” e “Certeza do Agora”.
Gostei de entender que, neste encontro, Juliano Pessanha nos falou de amor e dor. Poderia ter entendido uma série de outras coisas, mas por ora, escolho assim. Para tratar da idéia de amor, eu abuso e utilizo outro trecho de Manoel de Barros. Este saiu de “Ruína” e está no livro: Ensaios Fotográficos.
“Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono não pode ser apenas de um homem debaixo da ponte (...) O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (...) digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo.”
Anotei uma coisa de Juliano Pessanha que é mais ou menos isso: “Eu vejo o amor como uma grande mentira. É uma promessa que nunca se realiza”. Quando disse isso, lembrei de um conto de Guimarães Rosa onde um personagem chamado João Porém se apaixona pelo amor de uma mulher inventada. Quando lhe é revelado a inexistência da moça, o sentimento de abandono gerado pelo amor vazio é, ainda assim, preenchido todo com a força do seu amor criado.
O amor é você partilhar o abandono. A dor, por fim é esta experiência do desabamento, que desloca e transforma o homem instituído e a narrativa morta, em palavra viva e num homem aberto para adentramentos (no encontro, Pessanha chamava isso de “cuia”). É nisso que me agrada suas idéias de destruição: na ruína, vejo a possibilidade do novo. Inventar é, para mim, uma das formas mais intensas de dar ouvidos aos inúmeros desabamentos do mundo. E deixar de reagir com indiferença aos escombros que o mundo e a sociedade produz.
A poesia, como liberação da linguagem, deve ser não a morada do amor harmônico, mas o abrigo do desassossego da pergunta que tira do eixo as verdades instituídas. Sendo assim, decido por me expor e encerro o registro com uma pergunta de Pessanha e algo que escrevi uma vez, refletindo sobre a imensidade de beleza que existe no mundão, escondida sob outra imensidão de preconceitos e besteiras.
“Viver cabe na caixa ou provoca feridas?”
Desfiz as tranças crespas de meu cabelo e desalinhei.
Resolvi por desobedecer todas as linhas do rosto.
Sujei a face, borrei todos os lábios de um batom também esfacelado.
Enlouqueci ali. Afundei em surto imundo.
Cortei, arranquei as partes do meu corpo.
Até desabar aquelas idéias mortas,
penduradas em cada fio da minha pele,
e encontrar uma imensidade de belezas
insuperáveis ali,
bem ali... naquela entranha de mim.
(Bárbara)
terça-feira, 14 de abril de 2009
Tesoura
No dia em que Madalena veio ao Tomie Ohtake não consegui pensar em nenhum objeto e também quero pedir desculpas se alguém tiver pego o mesmo objeto que eu escolhi. Naquele dia eu fui pro técnico pensando em que objeto poderia ser, mais admito que não consegui pensar em nada e do mesmo nada cheguei a uma tesoura!
Mais como nada é por acaso lá vamos nós na história!
Quando eu era criança sempre adorei recortar as coisas em jornais e revistas, não havia uma santa revistinha que eu não recortasse e tirasse só as coisas que eu achasse boas, e é claro que meus pais me acompanhavam sentada no chão acabando com as revistas e falando “Não Camila, essa revista não”. E também com a inesquecível frase do meu pai “eeee mais essa menina parece uma formiguinha”, sim mais uma das milhões de frases que só meu pai mesmo poderia ter dito.
Então, em resumo seria uma tesoura pra recortar as coisas boas e guardar comigo, ou colar em algum caderno, como faço quando escrevo! É fato que eu tenho aprendido muito trabalhando no CCJ e é mais fato ainda que eu ainda pretendo recortar e muito, porque como ato final admito a vocês e ao meu pai: Ainda sou uma formiguinha!
Camila
Ps. Coloquei uma foto que eu tirei no Tomie, espero que não liguem!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
Corrente.
Pensem em cadeado, mas me recorre a algo que não pode ser mudado, me lembra á ferramenta fechada, então escolhi corrente, de ferro, bem forte; Para percorrer em todos os pensamentos não argumentados, e unir em uma questão, idéia ou conceito.
Regina.
Caneta
A caneta.
Óbvio e rápido assim, como quem olha em volta e diz a primeira coisa que vê, quando perguntada sobre que ferramenta usaria, respondi caneta.
Caneta que não registra, não anota, não marca. Caneta apenas um objeto inerte.
Caneta porque escreve, porque rabisca, porque é brinquedo e é ferramenta.
Caneta porque não é nada sem um punho, que não é nada sem uma mente que pense e que faça a tinta sair.
Caneta que me deixa sem fôlego com sua ausência quando um pensamento chega.
Caneta porque é um vício. Porque escrevo e depois desgosto, e mesmo assim insisto.
Amanda.
Pensem em cadeado, mas me recorre a algo que não pode ser mudado, me lembra á ferramenta fechada, então escolhi corrente, de ferro, bem forte; Para percorrer em todos os pensamentos não argumentados, e unir em uma questão, idéia ou conceito.
Regina.
Caneta
A caneta.
Óbvio e rápido assim, como quem olha em volta e diz a primeira coisa que vê, quando perguntada sobre que ferramenta usaria, respondi caneta.
Caneta que não registra, não anota, não marca. Caneta apenas um objeto inerte.
Caneta porque escreve, porque rabisca, porque é brinquedo e é ferramenta.
Caneta porque não é nada sem um punho, que não é nada sem uma mente que pense e que faça a tinta sair.
Caneta que me deixa sem fôlego com sua ausência quando um pensamento chega.
Caneta porque é um vício. Porque escrevo e depois desgosto, e mesmo assim insisto.
Amanda.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O que levaria ? A ferramenta ? A furadeira ?
O que eu levaria como ferramenta? A furadeira?
A aula da Madalena Freire, me afetou de forma "as ser tiva ", penso que se o objetivo foi restaurar ou diagnosticar os nossos interesses, na trilha a caminho da Arte Educação, ela conseguiu com maestria! A simples presença dela para mim causou muito impacto, principalmente depois que li o livro Janelas da alma de sua autoria. O encontro foi curioso. me atravessou. como diz madalena," aprender doi ".
No primeiro momento achei contraditória a minha opinião a respeito do que imaginei dela atravéz do livro lido, mas, logo caiu a minha ficha! A imagem funcionou como provocação, talvez eu já acostumei com um diálogo linear e conceitual a respeito da minha vida na arte. Aí a minha questão já mudou. Qual seria a minha função depois dessa esplanação tão concreta e direta diante do papel de um Educador " a tua ação" ser humano, ser modesto, ser artista? Qual seria então a minha contribuição para um mundo melhor?
Na arte talvez a maior descoberta foi pensar que estar em função, é colocar - se como doador de conhecimento, mas também um contribuidor para atingir o meu semelhante, e o fazer pensar dentro do seu universo, das especificidades , na arte , na vida!
Assim consigo fazer do meu instrumento de trabalho, a moeda de troca, para o conhecimento que pode trespassar barreira concreto ou QUALQUER OUTRO OBSTÁCULO!
Por isso a furadeira?
Talvés, sim ! A furadeira é capaz de furar assertivamente, como um atirador de arco e flecha como diz o livro A arte cavalheiresca do arqueiro zen autor Eugen Herrigel, o alvo no ato da execução sustenta a trilogia do arqueiro ( flecha, arco, alvo), eles são uma atmosfera só, quando eu acionar o botão para alcançar o meu semelhante ou algo que deseje acertar no mundo globalizado, poderá funcionar assim daqui pra frente.
Confesso, essa vivência nunca mais esquecerei, pois acertou num lugar que precisava de movimento para espraiar na Maré das águas cristalinas da alma " Do saber " no de vir.
A vida segue, só que agora estou diferente, transformado, penso que no trabalho no CCJ, na formação do Tomie Ohtake, dando aula, respondendo por algo, a minha postura vai funcionar como um elemento que vai dialogar com a minha função ou ofício da arte de ensinar.
Posso até fazer uma relação a aula do Claudio Feijó, do Jaime, Peter e sem esquecer do historiador Jair, Mestres , seres especias, que mexeu com a qualidade do meu olhar, na minha vida na arte, no fazer teatral, na dança, auto-confiança no que tenho a dizer para o mundo, a moeda de troca sustentável!
Hoje, já não tenho dúvidas que as qualidades originais do ser pensante, vem da relação do que se tem a dizer, do que se tem na mão , do que se faz juz a mudança para a qualidade restaurar ou melhorar. Mesmo se precisar extrair algo, mas que seja para transformação!!!
Então esmiuçar é mexer com os pensamentos no sentido de transformar algo, para algo novo acontecer.
Edson Nascimento.
A aula da Madalena Freire, me afetou de forma "as ser tiva ", penso que se o objetivo foi restaurar ou diagnosticar os nossos interesses, na trilha a caminho da Arte Educação, ela conseguiu com maestria! A simples presença dela para mim causou muito impacto, principalmente depois que li o livro Janelas da alma de sua autoria. O encontro foi curioso. me atravessou. como diz madalena," aprender doi ".
No primeiro momento achei contraditória a minha opinião a respeito do que imaginei dela atravéz do livro lido, mas, logo caiu a minha ficha! A imagem funcionou como provocação, talvez eu já acostumei com um diálogo linear e conceitual a respeito da minha vida na arte. Aí a minha questão já mudou. Qual seria a minha função depois dessa esplanação tão concreta e direta diante do papel de um Educador " a tua ação" ser humano, ser modesto, ser artista? Qual seria então a minha contribuição para um mundo melhor?
Na arte talvez a maior descoberta foi pensar que estar em função, é colocar - se como doador de conhecimento, mas também um contribuidor para atingir o meu semelhante, e o fazer pensar dentro do seu universo, das especificidades , na arte , na vida!
Assim consigo fazer do meu instrumento de trabalho, a moeda de troca, para o conhecimento que pode trespassar barreira concreto ou QUALQUER OUTRO OBSTÁCULO!
Por isso a furadeira?
Talvés, sim ! A furadeira é capaz de furar assertivamente, como um atirador de arco e flecha como diz o livro A arte cavalheiresca do arqueiro zen autor Eugen Herrigel, o alvo no ato da execução sustenta a trilogia do arqueiro ( flecha, arco, alvo), eles são uma atmosfera só, quando eu acionar o botão para alcançar o meu semelhante ou algo que deseje acertar no mundo globalizado, poderá funcionar assim daqui pra frente.
Confesso, essa vivência nunca mais esquecerei, pois acertou num lugar que precisava de movimento para espraiar na Maré das águas cristalinas da alma " Do saber " no de vir.
A vida segue, só que agora estou diferente, transformado, penso que no trabalho no CCJ, na formação do Tomie Ohtake, dando aula, respondendo por algo, a minha postura vai funcionar como um elemento que vai dialogar com a minha função ou ofício da arte de ensinar.
Posso até fazer uma relação a aula do Claudio Feijó, do Jaime, Peter e sem esquecer do historiador Jair, Mestres , seres especias, que mexeu com a qualidade do meu olhar, na minha vida na arte, no fazer teatral, na dança, auto-confiança no que tenho a dizer para o mundo, a moeda de troca sustentável!
Hoje, já não tenho dúvidas que as qualidades originais do ser pensante, vem da relação do que se tem a dizer, do que se tem na mão , do que se faz juz a mudança para a qualidade restaurar ou melhorar. Mesmo se precisar extrair algo, mas que seja para transformação!!!
Então esmiuçar é mexer com os pensamentos no sentido de transformar algo, para algo novo acontecer.
Edson Nascimento.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Eu queria um gravador.
Ah Simone, então você quer um gravador pra “gravar”, e depois ter isso como seu registro, seu documento pessoal, o registro no ato?
Não, eu não quero registrar palavras, ter provas, pra comprovar que um dia foi dito, ou registrado qualquer assunto, quero sentir na voz, na intensidade de uma respiração, a mudança da sílaba opaca,quero a verdade no quase-grito de uma afirmação.
Se essa voz resolver ter melodia, que venha acompanhado de poesia e não dessa frase vazia.
Pois somos um isntante proposto por nós mesmos.
Simone
Não, eu não quero registrar palavras, ter provas, pra comprovar que um dia foi dito, ou registrado qualquer assunto, quero sentir na voz, na intensidade de uma respiração, a mudança da sílaba opaca,quero a verdade no quase-grito de uma afirmação.
Se essa voz resolver ter melodia, que venha acompanhado de poesia e não dessa frase vazia.
Pois somos um isntante proposto por nós mesmos.
Simone
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